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Cake day: April 29th, 2023

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  • É uma questão importante. E talvez defina um “estilo” de fazer as coisas, portanto, deve haver quem tenda para um extremo e quem tenda para o outro.

    Pessoalmente, acho que “criança” não tem querer. Não é maldade minha nem egoismo - imagine-se “criança” como um espectro que pode ir do muito infantil até ao adulto e “ter querer” que pode ir do não ter sequer direito a opinião até impor-se a si próprio restrições.

    “Criança”, nestes termos é aquele que como o chocolate enquanto houver chocolate. É responsabilidade dos pais não lhe darem todo o chocolate que a criança quer até que ela própria consiga controlar eficazmente o chocolate que consome. Esta “framework” permite considerar criança alguns “adultos” que não se conseguem coibir de consumir dopamina (muitos adultos) e “adulto” algumas crianças que são bastante razoáveis.

    Mas o bom senso é variável, dinâmico e difícil de acordar.

    Um argumento de vários pais é que não conseguem resistir à pressão social para satisfazer a “vontade de comer chocolate” da criança - dizer não pode custar muito e alguns pais não se conseguem impor limites a si próprios (impor-se a si próprio dizer não à criança). Então pretendem que lhes seja barrada a hipótese de dizer sim obrigando que sejam as empresas a controlar o acesso às redes (é como colocar um cadeado no frigorífico). O problema é que esse cadeado erode a privacidade de toda a gente. O que eu acho (!) é que tem de se impor às empresas que cumpram regras de saúde digital (impedir certos procedimentos como dark patterns e promoção de comportamentos aditivos) e educar os cidadãos para a necessidade de ter uma dieta digital saudável.

    Um pouco como o que se faz com a alimentação e com o tabaco. O problema é que com a alimentação não temos tido assim muitos bons resultados, pois não?.. Tanto piores resultados quanto menos educação existir.

    Gostava muito de discutir isto numa mesa de café!..



  • Ainda bem. Mas…

    Lembro-me de, quando fiz Erasmus, na Holanda, nos anos 90, haver esse sistema e o depósito para aquelas garrafas de 1,5 litros dar um retorno de 1 Florim (100$, na altura). Claro que os valores não são comparáveis assim…

    Sim, estamos só 30 anos atrasados. Eu, pessimista como sou às vezes, diria que até mais, porque nessa altura já toda a gente lá tinha entendido o porquê do sistema e valorizava-o, além do valor material do depósito da embalagem. Aqui ainda falta essa parte toda - a da civilidade. Não me lembro de ver garrafas vazias largadas pelas ruas à volta de qualquer café como aqui. Mesmo em Amsterdão ou até Antuérpia.

    Como diria o outro: “Ai Portugal, Portugal…”!